O ciúme – Alain Robbe-Grillet

“Agora a sombra da coluna – a coluna que sustenta o ângulo sudoeste do telhado – divide em duas partes iguais o ângulo correspondente da varanda. Essa varanda é uma larga galeria coberta, que cerca três lados da casa. Como sua largura é igual na parte central e nas partes laterais, o traço da sombra projetada pela coluna chega exatamente à quina da casa; mas detém-se ali, pois apenas as lajes da varanda são alcançadas pelo sol, ainda demasiado alto no céu. As paredes, de madeira, da casa – isto é, a fachada e a empena ocidental – ainda estão protegidas de seus raios pelo telhado (telhado comum à casa propriamente dita e à varanda). Assim, neste instante, a sombra da beirada do telhado coincide exatamente com a linha, em ângulo reto, que formam a varanda e as duas faces verticais da quina da casa.
Agora, A… entrou no quarto, pela porta interna que dá para o corredor central. Ela não olha pela janela escancarada, por onde, da porta, veria este canto da varanda. Voltou-se agora para a porta a fim de fechá-la. Continua usando o vestido claro, de gola reta, muito justo, que vestia no almoço”.

Alain Robbe-Grillet (1922-2008) escreveu a La jalousie (O ciúme) em 1957.

La jalousieAlain Robbe-Grillet

Mulholland Dr. – David Lynch

Uma mulher morena é atacada por um assassino profissional, mas escapa após ambos se envolverem em um acidente de carro na Avenida Mulholland em Hollywood, onde apenas a mulher sobrevive. Ela anda até Los Angeles, onde entra em um apartamento recentemente desocupado por uma mulher ruiva. Uma aspirante a atriz chamada Betty Elms chega ao apartamento e encontra a morena, que está com amnésia e não se lembra de quem é, adotando o nome “Rita” após ver o pôster de um filme estrelado por Rita Hayworth na parede. As duas decidem olhar na bolsa de Rita em busca de pistas e encontram uma grande quantia em dinheiro e uma chave azul.

Paralelamente, em uma lanchonete, um homem conta a seu amigo que teve um pesadelo em que havia um monstro nos fundos da lanchonete. Os dois decidem investigar, e a criatura aparece, deixando o homem que teve o pesadelo paralisado de medo.

Enquanto isso, o diretor de cinema Adam Kesher é pressionado pela máfia a contratar uma atriz desconhecida chamada Camilla Rhodes para o papel principal de seu novo filme. Ele se recusa, e volta para casa, onde encontra sua esposa tendo um caso com outro homem. Ela o manda embora, e, na rua, ele recebe uma ligação do banco, avisando que ele está falido. Um homem conhecido como “O Caubói” aparece e aconselha Adam a contratar Camilla Rhodes por sua segurança, e Adam concorda. Simultaneamente, um assassino profissional invade um apartamento para roubar um livro com nomes e telefones, e mata três pessoas no processo.

Externa noite – HOLLYWOOD HILLS, LOS ANGELES
    
Escuridão. Sons distantes do tráfego da rodovia. Então, mais perto som de um carro – seus faróis iluminam um loureiro e os braços de um eucalipto. Em seguida, os faróis se acendem – O sinal de rua fica de repente iluminado. As palavras no letreiro são “Mulholland Drive”. O carro faz a volta sob o letreiro e as palavras caem mais uma vez na escuridão.
    
CORTE PARA:
    
Externa NOITE – MOVIMENTAÇÃO MULHOLLAND
    
Deslizando, seguimos o carro – uma limusine negra antiga, Cadillac – à medida que ele serpenteia pela Mulholland Drive através da escuridão dos montes de Hollywood. Não há mais ninguém na estrada. À medida que nos aproximamos do carro …
    
CORTE PARA:
    
Interna. BLACK CADILLAC LIMOUSINE – NOITE
    
Dois homens com ternos escuros estão sentados no banco da frente. Uma linda e jovem mulher de cabelos escuros está sentada na parte de trás. Ela se senta, fecha a porta e olha para a escuridão. Ela parece estar pensando em algo. De repente ela vira e olha para a frente. O carro está diminuindo a velocidade e se deslocando para o acostamento.
    
MULHER DE CABELOS ESCUROS
O que você está fazendo? Você não pode parar aqui …
 
O carro pára – metade na pista, metade no acostamento, em uma curva cega. Os dois homens se voltam para a mulher.
    
MOTORISTA
Saia do carro.”

Mulholland Drive (ou Cidade dos Sonhos) foi dirigido por David Lynch (1946) e lançado em 2001.
Roteiro

Mulholland Drive

David Lynch

O último vôo do flamingo – Mia Souto

“Então, ela contou. Eu repetia palavra por palavra, decalcando sobre a voz cansada dela. Rezava: havia um lugar onde o tempo não tinha inventado a noite.
Era sempre dia. Até que, certa vez, o flamingo disse:
— Hoje farei meu último voo!
As aves, desavisadas, murcharam. Tristes, contudo, não choraram. Tristeza de pássaro não inventou lágrima. Dizem: lágrima dos pássaros se guarda lá onde fica a chuva que nunca cai.
Ao aviso do flamingo, todas as aves se juntaram. Haveria uma assembleia para se conversar o assunto. Enquanto o flamingo não chegava, se escutavam os pios em rodopios. Se acreditava em tais ditos? Podia-se e não. Fosse ou não fosse, todos se demandavam:
— Mas vai voar para onde?
— Para um sítio onde não há nenhum lugar.
O pernalta, enfim, chegou e explicou — que havia dois céus, um de cá, voável, e um outro, o céu das estrelas, inviável para voação. Ele queria passar essa fronteira.
— Por que essa viagem tão sem regresso?
O flamingo desvalorizava seu feito:
— Ora, aquilo é longe, mas não é distante
Depois ele foi internando-se nas árvores sombrosas do mangal. Demorou.
Só apareceu quando a paciência dos outros já envelhecia. Os bichos de asa se concentraram na clareira do pântano. E todos olharam o flamingo como se descobrissem, apenas então, a sua total beleza. Vinha altivo, todo por cima da sua altura. Os outros, em fila, se despediam. Um ainda pediu que ele desfizesse o
anúncio.
— Por favor, não vá!
— Tenho que ir!
A avestruz se interpôs e lhe disse:
— Veja, eu, que nunca voei, carrego as asas como duas saudades. E,
no entanto, só piso felicidades.
— Não posso, me cansei de viver num só corpo.
E falou. Queria ir lá onde não há sombra, nem mapa. Lá onde tudo é luz. Mas nunca chega a ser dia. Nesse outro mundo ele iria dormir, dormir como um deserto, esquecer que sabia voar, ignorar a arte de pousar sobre a terra.
— Não quero pousar mais. Só repousar.
E olhou para cima. O céu parecia baixo, rasteiro. O azul desse céu era tão intenso que se vertia líquido, nos olhos dos bichos.
Então, o flamingo se lançou, arco e flecha se crisparam em seu corpo. E ei-lo, eleito, elegante, se despindo do peso. Assim, visto em voo, dir-se-ia que o céu se vertebrara e a nuvem, adiante, não era senão alma de passarinho. Dir-se-ia mais: que era a própria luz que voava. E o pássaro ia desfolhando, asa em asa, as transparentes páginas do céu. Mais um bater de plumas e, de repente, a todos pareceu que o horizonte se vermelhava. Transitava de azul para tons escuros, roxos e liliáceos. Tudo se passando como se um incêndio. Nascia, assim, o primeiro poente. Quando o flamingo se extinguiu, a noite se estreou
naquela terra.”

O último vôo do flamingo
Mia Souto

Mia Souto (1955) publicou “O último vôo do flamingo” no ano 2000 pela Editorial Caminho, de Portugal.

La madrague – Brigitte Bardot

Sur la plage abandonnée
Coquillage et crustacés
Qui l’eût cru déplorent la perte de l’été
Qui depuis s’en est allé
On a rangé les vacances
Dans des valises en carton
Et c’est triste quand on pense à la saison
Du soleil et des chansons

Pourtant je sais bien l’année prochaine
Tout refleurira nous reviendrons
Mais en attendant je suis en peine
De quitter la mer et ma maison

Le mistral va s’habituer
A courir sans les voiliers
Et c’est dans ma chevelure ébouriffée
Qu’il va le plus me manquer
Le soleil mon grand copain
Ne me brulera que de loin
Croyant que nous sommes ensemble un peu fâchés
D’être tous deux séparés

Le train m’emmènera vers l’automne
Retrouver la ville sous la pluie
Mon chagrin ne sera pour personne
Je le garderai comme un ami

Mais aux premiers jours d’été
Tous les ennuis oubliés
Nous reviendrons faire la fête aux crustacés
De la plage ensoleillée
De la plage ensoleillée
De la plage ensoleillée

……………………………

Na praia abandonada
Moluscos e crustáceos
Quem teria acreditado que lamentariam a perda de verão
Que desde que se foi
Guardaram as férias
Em malas de papelão
E é triste quando se pensa na estação
Do sol e das canções

Entretanto eu sei que no próximo ano
Tudo reflorescerá e nós voltaremos
Mas enquanto espero, eu tenho pena
De abandonar o mar e minha casa

O mistral vai se acostumar
A correr sem os veleiros
E é da minha cabeleira desgrenhada
Que ele vai sentir mais falta
O sol, meu grande amigo
Só vai me bronzear de longe
Acreditando que estamos juntos, um pouco zangados
De estar todos dois separados

O trem me levará em direção ao outono
Encontrar novamente a cidade debaixo de chuva
Minha tristeza não será por ninguém
Eu vou guardá-lo como um amigo

Mas aos primeiros dias de verão
Todos os aborrecimentos esquecidos
Nós voltaremos festejar com os mariscos
Da praia ensolarada
Da praia ensolarada
Da praia ensolarada

Se a Babilônia não cair – BaianaSystem

Se a babilônia não cair, se o vento não soprar
Se a pedra não ruir, e o sofrimento perdurar
Se a babilônia não cair, se o vento não soprar
Se a pedra não ruir, e o sofrimento perdurar

Então vá, a babilônia eu sei que vai cair
Vá, não sei mais o que estou fazendo aqui
Vá, oh Jah me leve que eu quero fugir
Vá, Direto pros estúdios

Adio o cansaço faço como o rei do cangaço
Feito de carne e osso mas com punhos de aço
Faço parte dos que tomam iniciativa
E se tentar me destruir utilizo da minha esquiva

Então vá, a babilônia eu sei que vai cair
Vá, oh Jah me leve que eu quero fugir
Vá, não sei mais o que estou fazendo aqui
Vá, Direto pros estúdios

Se a babilônia não cair, se o vento não soprar
[Lyrics from: https:/lyrics.az/baianasystem/baianasystem/jah-jah-revolta.html]
Se a pedra não ruir, e o sofrimento perdurar
Se a babilônia não cair, se o vento não soprar
Se a pedra não ruir, e o sofrimento perdurar

Encontrar a pala no porta-mala do Opala
A cara do polícia que cobiça é um no padre outro na missa
Enquanto isso o compromisso omisso é o back no bolso
Jogo lenço no bom senso, o ragga logo fica tenso
Por mais que me convença, nunca muda o que penso
O ofício do momento é me sair com talento
Afasta onda nefasta e me encontre na paz do rasta man
Onda nefasta e me encontre
Afasta onda nefasta e me encontre na paz do rasta man
Onda nefasta e me encontre
Tudo bem quem tem
Tudo bem não tem
Tudo bem nao tem dinheiro
Mas sou da tribo do herdeiro dos filhos de Jah
Rastaman vibration
Rastaman vibration

Geografia da fome – Josué de Castro

“É realmente estranho, chocante, o fato de que, num mundo como o nosso, caracterizado por tão excessiva capacidade de escrever-se e de publicar-se, haja até hoje tão pouca coisa escrita acerca do fenômeno da fome, em suas diferentes manifestações.”

“Na realidade, a fome coletiva é um fenômeno social bem mais generalizado. É um fenômeno geograficamente universal, não havendo nenhum continente que escape à sua ação nefasta. Toda a terra dos homens tem sido também até hoje terra da fome. ”

“Não resta dúvida que foram os fundamentos econômicos a mola impulsionadora destes tabus. Veja-se o caso do próprio açúcar. Pernambuco, sendo o primeiro Estado produtor, está colocado na lista dos consumidores, per capita, no 14.° lugar do país. Por quê? Por que se consome tão pouco açúcar numa zona onde ele existe em tal abundância? É que o senhor de engenho, temeroso de que o apetite um tanto aguçado dos escravos os levasse a comer muito do seu rico açúcar, reservado com tanto zelo para a exportação, apregoou com tal vigor os seus perigos, os supostos malefícios que o açúcar traz — quando comido de manhã dando lombriga e quando comido a qualquer hora estragando os dentes — que assustou o pobre negro. Embora a cozinha regional seja abundante em doces e bolos, este consumo é exclusivo dos abastados, os mais pobres ainda hoje mantendo-se escabriados do açúcar, proibindo os meninos de chuparem balas, de comerem doces para não criar bicho na barriga. ”

“Afirmando e fazendo crer aos negros escravos, e depois aos moradores de suas terras, que não se deve misturar nenhuma fruta com álcool, que melancia comida no mato logo depois de colhida dá febre, que manga com leite é veneno, que laranja só deve ser comida de manhãzinha, que fruta pouco madura dá cólica, que cana verde dá corrimento, os senhores e os patrões diminuíam ao extremo as possibilidades de que os [pg. 154] pobres se aventurassem a tocar nas suas frutas egoisticamente poupadas para seu exclusivo regalo. ”

“Impõe-se uma política que, acelerando o processo de desenvolvimento, quebrando as mais reacionárias forças de contenção que impedem o acesso à economia do país a grupos e setores enormes da nacionalidade, venham a criar os meios indispensáveis à elevação dos nossos padrões de alimentação. Porque a verdade é que nada existe de especifico contra a fome, nenhuma panacéia que possa curar este mal como se fosse uma doença de causa definida. A fome não é mais do que uma expressão — a mais negra e a mais trágica expressão do subdesenvolvimento econômico. Expressão que só desaparecerá quando for varrido do país o subdesenvolvimento econômico, com o pauperismo generalizado que este condiciona. O que é necessário por parte dos poderes públicos é condicionar o desenvolvimento e orientá-lo para fins bem definidos, dos quais nenhum se sobrepõe ao da emancipação alimentar do povo. É dirigir a nossa economia tendo como meta o bem-estar social da coletividade. Só assim teremos um verdadeiro desenvolvimento econômico que nos emancipe de todas as formas de servidão. Da servidão às forças econômicas externas que durante anos procuraram entorpecer o nosso progresso social e da servidão interna à fome e à miséria que entravaram sempre o crescimento de nossa riqueza. ”


Josué Apolônio de Castro (Recife, 5 de setembro de 1908 – Paris, 24 de setembro de 1973), mais conhecido como Josué de Castro, foi um influente médico, nutrólogo, professor, geógrafo, cientista social, político, escritor e ativista brasileiro do combate à fome. Destacou-se no cenário brasileiro e internacional não só pelos seus trabalhos ecológicos sobre o problema da fome no mundo, mas também no plano político em vários organismos internacionais.

Partindo de sua experiência pessoal no Nordeste brasileiro, publicou uma extensa obra que inclui: Geografia da fome, Geopolítica da fome, Sete palmos de terra e um caixão e Homens e caranguejos. Exerceu a Presidência do Conselho Executivo da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), e foi também Embaixador brasileiro junto à Organização das Nações Unidas (ONU).

Recebeu da Academia de Ciências Políticas dos Estados Unidos o Prêmio Franklin D. Roosevelt. O Conselho Mundial da Paz lhe ofereceu o Prêmio Internacional da Paz e o governo francês o condecorou como Oficial da Legião de Honra. Foi ainda indicado ao Nobel da Paz nos anos de 1953, 1963, 1964 e 1965.[1]

Logo após o Golpe de Estado de 1964 teve seus direitos políticos suspensos pela Ditadura Civil-Militar

Geografia da Fome foi publicada em 1946.

Josué de Castro
Geografia da fome

O inominável – Samuel Beckett

“Onde agora? Quando agora? Quem agora? Sem me perguntar isso. Dizer eu. Sem o pensar. Chamar isso de perguntas, hipóteses. Ir adiante, chamar isso de ir, chamar isso de adiante. Pode ser que um dia, primeiro passo, vá, eu tenha simplesmente ficado, no qual, em vez de sair, segundo um velho hábito, passar o dia e a noite tão longe quanto possível de casa, não era longe. Pode ter começado assim.”

“Ninguém saberá nunca o que sou, ninguém me ouvirá dizê-lo, mesmo que eu o diga, e eu não o direi, eu não poderei, tenho apenas a língua deles, sim, sim, eu o direi talvez, mesmo na linguagem deles, para mim apenas, para não ter vivido em vão, e depois para poder me calar, se é isso que dá direito ao silêncio”

“há apenas isso, é preciso continuar, é tudo o que sei, eles vão parar, conheço isso, eu os sinto me deixando, será o silêncio, um pequeno instante, um bom momento, ou será o meu, aquele que dura, que não durou, que dura sempre, serei eu, é preciso continuar”

Samuel Beckett (1906-1989) publicou O inominável em 1953.

Samuel Beckett

O inominável

As geórgicas – Claude Simon

“Ele tem cinquenta anos. É general comandante da artilharia do exército da Itália. Mora em Milão. Usa uma túnica com a gola e a frente bordadas com fios dourados. Tem sessenta anos. Toma conta das obras do terraço de seu castelo. Está cuidadosamente envolto num velho casacão militar. Enxerga pontos negros diante dos olhos. Essa noite ele estará morto. Tem trinta anos . É capitão. Vai à ópera”

“Os blocos de moradias amontoados e construídos (ou moldados de uma só vez, colocados) direto sobre a terra amarela e ondulada, com suas roupas descoradas penduradas em guirlandas murchas, as calças compridas escuras rígidas e achatadas como táboas rodopiando ou se balançando ao vento brando, as altas nuvens de poeira levantando-se, girando, fugindo entre as fachadas melancólicas, caindo, erguendo-se outra vez acima das calçadas danificadas, poeirentas, onde escorrem em viscosas valas de lama preta as águas eternas e vâs lavagens de roupa expulsas em breves jatos dos canos, os escoamentos azulados com cheiro enjoativo e insípido de sabão, de sujeira (como se apesar de lavada, enxaguada com bastante água, a miséria continuasse fedendo), cobertas de bolhas como domos derivando com lentidão, vindo aglutinar-se em pencas sob as nuvens de moscas nos orifícios entupidos dos esgotos, opacas, cobertas por uma espécie de véu, de película impedindo-lhes de rebentar, isso tudo).”

Claude Simon (1913-2005) escreveu “As geórgicas” em 1981.

Claude Simon

As geórgicas