Se a Babilônia não cair – BaianaSystem

Se a babilônia não cair, se o vento não soprar
Se a pedra não ruir, e o sofrimento perdurar
Se a babilônia não cair, se o vento não soprar
Se a pedra não ruir, e o sofrimento perdurar

Então vá, a babilônia eu sei que vai cair
Vá, não sei mais o que estou fazendo aqui
Vá, oh Jah me leve que eu quero fugir
Vá, Direto pros estúdios

Adio o cansaço faço como o rei do cangaço
Feito de carne e osso mas com punhos de aço
Faço parte dos que tomam iniciativa
E se tentar me destruir utilizo da minha esquiva

Então vá, a babilônia eu sei que vai cair
Vá, oh Jah me leve que eu quero fugir
Vá, não sei mais o que estou fazendo aqui
Vá, Direto pros estúdios

Se a babilônia não cair, se o vento não soprar
[Lyrics from: https:/lyrics.az/baianasystem/baianasystem/jah-jah-revolta.html]
Se a pedra não ruir, e o sofrimento perdurar
Se a babilônia não cair, se o vento não soprar
Se a pedra não ruir, e o sofrimento perdurar

Encontrar a pala no porta-mala do Opala
A cara do polícia que cobiça é um no padre outro na missa
Enquanto isso o compromisso omisso é o back no bolso
Jogo lenço no bom senso, o ragga logo fica tenso
Por mais que me convença, nunca muda o que penso
O ofício do momento é me sair com talento
Afasta onda nefasta e me encontre na paz do rasta man
Onda nefasta e me encontre
Afasta onda nefasta e me encontre na paz do rasta man
Onda nefasta e me encontre
Tudo bem quem tem
Tudo bem não tem
Tudo bem nao tem dinheiro
Mas sou da tribo do herdeiro dos filhos de Jah
Rastaman vibration
Rastaman vibration

Geografia da fome – Josué de Castro

“É realmente estranho, chocante, o fato de que, num mundo como o nosso, caracterizado por tão excessiva capacidade de escrever-se e de publicar-se, haja até hoje tão pouca coisa escrita acerca do fenômeno da fome, em suas diferentes manifestações.”

“Na realidade, a fome coletiva é um fenômeno social bem mais generalizado. É um fenômeno geograficamente universal, não havendo nenhum continente que escape à sua ação nefasta. Toda a terra dos homens tem sido também até hoje terra da fome. ”

“Não resta dúvida que foram os fundamentos econômicos a mola impulsionadora destes tabus. Veja-se o caso do próprio açúcar. Pernambuco, sendo o primeiro Estado produtor, está colocado na lista dos consumidores, per capita, no 14.° lugar do país. Por quê? Por que se consome tão pouco açúcar numa zona onde ele existe em tal abundância? É que o senhor de engenho, temeroso de que o apetite um tanto aguçado dos escravos os levasse a comer muito do seu rico açúcar, reservado com tanto zelo para a exportação, apregoou com tal vigor os seus perigos, os supostos malefícios que o açúcar traz — quando comido de manhã dando lombriga e quando comido a qualquer hora estragando os dentes — que assustou o pobre negro. Embora a cozinha regional seja abundante em doces e bolos, este consumo é exclusivo dos abastados, os mais pobres ainda hoje mantendo-se escabriados do açúcar, proibindo os meninos de chuparem balas, de comerem doces para não criar bicho na barriga. ”

“Afirmando e fazendo crer aos negros escravos, e depois aos moradores de suas terras, que não se deve misturar nenhuma fruta com álcool, que melancia comida no mato logo depois de colhida dá febre, que manga com leite é veneno, que laranja só deve ser comida de manhãzinha, que fruta pouco madura dá cólica, que cana verde dá corrimento, os senhores e os patrões diminuíam ao extremo as possibilidades de que os [pg. 154] pobres se aventurassem a tocar nas suas frutas egoisticamente poupadas para seu exclusivo regalo. ”

“Impõe-se uma política que, acelerando o processo de desenvolvimento, quebrando as mais reacionárias forças de contenção que impedem o acesso à economia do país a grupos e setores enormes da nacionalidade, venham a criar os meios indispensáveis à elevação dos nossos padrões de alimentação. Porque a verdade é que nada existe de especifico contra a fome, nenhuma panacéia que possa curar este mal como se fosse uma doença de causa definida. A fome não é mais do que uma expressão — a mais negra e a mais trágica expressão do subdesenvolvimento econômico. Expressão que só desaparecerá quando for varrido do país o subdesenvolvimento econômico, com o pauperismo generalizado que este condiciona. O que é necessário por parte dos poderes públicos é condicionar o desenvolvimento e orientá-lo para fins bem definidos, dos quais nenhum se sobrepõe ao da emancipação alimentar do povo. É dirigir a nossa economia tendo como meta o bem-estar social da coletividade. Só assim teremos um verdadeiro desenvolvimento econômico que nos emancipe de todas as formas de servidão. Da servidão às forças econômicas externas que durante anos procuraram entorpecer o nosso progresso social e da servidão interna à fome e à miséria que entravaram sempre o crescimento de nossa riqueza. ”


Josué Apolônio de Castro (Recife, 5 de setembro de 1908 – Paris, 24 de setembro de 1973), mais conhecido como Josué de Castro, foi um influente médico, nutrólogo, professor, geógrafo, cientista social, político, escritor e ativista brasileiro do combate à fome. Destacou-se no cenário brasileiro e internacional não só pelos seus trabalhos ecológicos sobre o problema da fome no mundo, mas também no plano político em vários organismos internacionais.

Partindo de sua experiência pessoal no Nordeste brasileiro, publicou uma extensa obra que inclui: Geografia da fome, Geopolítica da fome, Sete palmos de terra e um caixão e Homens e caranguejos. Exerceu a Presidência do Conselho Executivo da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), e foi também Embaixador brasileiro junto à Organização das Nações Unidas (ONU).

Recebeu da Academia de Ciências Políticas dos Estados Unidos o Prêmio Franklin D. Roosevelt. O Conselho Mundial da Paz lhe ofereceu o Prêmio Internacional da Paz e o governo francês o condecorou como Oficial da Legião de Honra. Foi ainda indicado ao Nobel da Paz nos anos de 1953, 1963, 1964 e 1965.[1]

Logo após o Golpe de Estado de 1964 teve seus direitos políticos suspensos pela Ditadura Civil-Militar

Geografia da Fome foi publicada em 1946.

Josué de Castro
Geografia da fome