Sr. Ninguém – Jaco Van Dormael

Sr. Ninguém (Mr. Nobody) é sobre as escolhas que fazemos durante nossa vida e como elas determinam o que somos. No filme, Nemo se encontra em algum lugar no futuro, um tempo em que as pessoas se tornaram imortais e ele é o último ser humano mortal ainda vivo. As pessoas tentam descobrir quem ele foi quando jovem, mas ele próprio não enxerga na própria vida o sentido que os outros buscam nela, e, apesar de guardar memórias do passado, não sabe dizer quem na verdade é.”

“Nemo condicionou suas escolhas à crença de que elas eram capazes de impedir coisas que ele imaginava que poderiam vir a acontecer. Por conta disso, só lhe sobrava um único caminho a seguir e isso sequer podia ser chamado de escolha, pois na maior parte das situações ele sequer fazia uma opção, por acreditar que “enquanto não se escolhe tudo permanece possível”.

“Já na velhice, ele não consegue descobrir quem na verdade é, simplesmente porque durante toda a sua vida ele não foi corajoso o suficiente para tomar decisões que o ajudassem a descobrir sua verdadeira identidade.” Texto extraído de Sublime irrealidade (aqui um pouco modificado)

E aí, meu irmão, cadê você? – Joel e Ethan Coen

“‘E aí, meu irmão, cadê você’ (Oh Brother, Where Art Thou, EUA, 2000) narra Ulysses, um almofadinha que foge da cadeia com dois colegas a quem está acorrentado, tentando cruzar o país para encontrar e desenterrar um tesouro cuja localização Ulysses garante saber. A fuga é repleta de encontros impagáveis: um blueman negro que vendeu a alma ao Diabo para tocar violão melhor ; um gângster violento; um caixeiro viajante caolho, etc, etc.”

“Trata-se de uma viagem divertida ao centro da alma do trovador norte-americano retratada com perfeição até mesmo no ritmo lânguido e indolente da direção. O filme, todo criado em tons marrons e verdes, foi digitalizado e teve o excesso de cores removido digitalmente, de forma a ganhar as tonalidades de uma plantação de milho.” Texto em Cinereporter . Elenco: George Clooney, John Turturro, Tim Blake Nelson, Charles Durning, John Goodman, Michael Badalucco, Holly Hunter, Chris Thomas King, Wayne Duvall, Daniel von Bargen, Stephen Root.

Os homens que encaravam cabras – Grant Heslov

“Já no início de “Os homens que encaravam cabras”, os créditos avisam que “você ficaria surpreso com a quantidade de coisas neste filme que são verídicas”. Uma delas é achar – veja só – que os Estados Unidos têm a vocação moral, quase transcendental, quase divina, de salvar o mundo. O personagem de Bridges, Bill Django, volta do Vietnã crente de que seja possível fazer a paz não com tiros, mas com amor. De sua utopia hippie nasce o Exército da Nova Terra, divisão do exército dos EUA que emprega poderes psíquicos em combate. São homens de bigodes bem aparados que, dizem, podem até matar uma cabra com o olhar.”

“As melhores cenas estão nos flashbacks, rindo não só de um episódio específico da jornada belicista dos EUA mas de toda a construção do mito de seu poderio. Em Kubrick o alvo do escracho é a guerra enquanto conceito. O alvo de Heslov e Clooney é a Guerra do Iraque.” Texto extraído de Omelete. Elenco: George Clooney, Jeff Bridges, Kevin Spacey

Em busca do cálice sagrado – Monty Python

‘Em busca do cálice sagrado’ trata da trajetória do Rei Arthur pela Grã-Bretanha à procura de cavaleiros para se aliarem a ele e defenderem Camelot dos ataques dos saxões. As piadas começam antes do início do filme, já nos créditos. Quando o filme, de fato, começa, o Rei Arthur e seu fiel escudeiro Patsy chegam a um castelo a cavalo. Mas em nenhum momento do filme há um cavalo de verdade: eles apenas fingem cavalgar batendo em côcos, imitando o som de uma cavalaria.” E por aí vai … Elenco: Graham Chapman, John Cleese, Eric Idle.

Monty Python

O grupo Monty Python, composto por Eric Idle, Terry Gilliam, Graham Chapman, John Cleese, Micheal Palin e Terry Jones, começou em 1969 com um programa na televisão britânica chamado Monty Python’s Flying Circus. E a partir daí, não pararam mais: vivaram shows, filmes, livros, jogos de computador, revolucionando o que até então compunha o gênero comédia. (texto extraído de ‘Ambrosia’)

Monty Python

Dr. Fantástico – Stanley Kubrick

Em ‘Dr. Fantástico’ (Dr. Strangelove Or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb, 1964) um general americano acredita que os soviéticos estão sabotando os reservatórios de água dos Estados Unidos e resolve, em troca, bombardear a União Soviética. Com as comunicações interrompidas, ele é o único que possui os códigos para parar as bombas e evitar o que provavelmente seria o início da Terceira Guerra Mundial. Uma das melhores comédias de todos os tempos. Elenco: Peter Sellers, George C. Scott, Sterling Hayden.

Dr. Fantástico

“Kubrick jamais teria obtido tal êxito sem a presença do inigualável Peter Sellers, que interpreta nada menos que três personagens, todos extremamente distintos entre si. Há também a presença de George C. Scott, que mais tarde viria a afirmar que seria neste filme a melhor performance de sua vida. Texto de ‘Plano Crítico’.

Dr. Fantástico

Dr. Fantástico

Attack the gas station – Sang-Jin Kim

“Cinema asiático. Quatro amigos delinquentes decidem assaltar um posto de gasolina. Feito o roubo acabam sentindo-se entediados e tentam repetir a façanha. Mas desta vez não encontram dinheiro suficiente, sequestram o dono do posto e  empregados e resolvem tomar conta do negócio.

À medida que a noite vai avançando, prendem mais reféns e acabam entrando em confronto com “gangs” rivais. Resistindo a todos os desafios os rapazes continuam a desenvolver seu negócio de forma pouco ortodoxa. ”

O texto acima, aqui um pouco alterado, está em shinobi-myasianmovies.blogspot.com.br/2009/08/attack-gas-stationjuyuso-seubgyuksageun.html

Lisbela e o prisioneiro – Guel Arraes

“Leléu é um trambiqueiro viajante. Em cada parada ele assume uma persona: vendedor de tônico, profeta, dono do stand da Monga. Sua última conquista foi Inaura, mas ela  é casada com Frederico Evandro, matador por profissão, que sai no encalço de Leléu decidido a vingar-se.

Lisbela está noiva e de casamento marcado, mas se apaixona por Leléu quando este chega à cidade. Eles têm de de lidar com a oposição do pai de Lisbela, tenente de polícia, e do agora ex-noivo, o playboy Douglas. Douglas contrata  um matador para livrar-se de Leléu. E adivinhe quem é o gatilho mais rápido da cidade? O texto acima, aqui com alterações, está em ‘Omelete’.”

Meu tio da América – Alain Resnais

“A única razão de ser de um ser é … ser. Conservar a sua estrutura” . Esta é a citação inicial de “Meu tio da América” (Mon oncle d´Amérique – França, 1980). Alan Resnais aborda os mecanismos da memória (como fez em “Providence”) e o paralelismo de épocas diversas (como em “O ano passado em Marienbad”) de maneira bastante especial, criativa na forma e no conteúdo, e transbordante de informação e reflexão crítica”. Elenco: Gérard Depardieu, Nicole Garcia, Roger Pierre.

“É a história de dois homens e uma mulher, de cidades e origens sociais e familiares diversas, da infância à idade adulta. Enfatiza a influência da família, das recordações infantis, dos jogos e das atividades iniciais. Destaca a importância do meio ambiente no desenvolvimento de personalidades e atitudes. Resnais aborda o problema da dificuldade de adaptação às constantes mudanças da vida atual, a relutância na aceitação da nova realidade sócio-econômica.” Texto, aqui um pouco modificado, de Theresa Catharina de Góes Campos, editora do  ‘Notícias culturais’.

Motorama – Barry Shils

“Um garoto de dez anos, obcecado pelo jogo “Motorama”, faz de tudo para levar o prêmio: US$ 500 milhões. Para vencer ele precisa apenas juntar cards dos postos de gasolina Chimera espalhados no país inteiro, até conseguir letras suficientes para formar a palavra ‘Motorama'”.

“Como seus pais não parecem muito empolgados em viajar os Estados Unidos inteiros, o menino se vê “obrigado” a roubar um possante Mustang vermelho e ir atrás dos cards sozinho.” Texto extraído de Cineclick. Elenco: Jordan Christopher Michael, Martha Quinn, Michael Naegel. IMDB.

A última noite de Bóris Grushenko – Woody Allen

‘A Última Noite de Bóris Grushenko’ (Love and Death) têm seqüências de imensa beleza plástica, sacadas inteligentíssimas e uma quantidade absurda de diálogos maravilhosos. Algumas piadas são completamente infames – mas a maioria é simplesmente hilariante.

O título remete à ‘Guerra e Paz’, de Tolstói. Já o nome do protagonista diz respeito a Fiodor Dostoiévski – Grushenka é a principal personagem feminina de Os Irmãos Karamázov. Há um diálogo que menciona diversos romances de Dostoévski, inclusive Crime e Castigo. De Os Irmãos Karamázov Woody Allen tirou toda a base da discussão do livro: se Deus não existe, então tudo é permitido. Bóris e sua amada Sonja discutem longa, profusamente sobre isso, ao longo de todo o filme. De Guerra e Paz, o cineasta tirou, além da paráfrase do título original de seu filme, o contexto histórico, a época em que a ação se passa – a Rússia imperial do início do século XIX, a invasão da Rússia pelos exércitos de Napoleão”. Texto extraído de ’50 anos de filmes’IMDB.