Storia della bruttezza – Umberto Eco

“Dizer que belo e feio são relativos aos tempos e às culturas (ou até mesmo aos planetas) não significa, porém, que não se tentou desde sempre, vê-los como padrões definidos em relação a um modelo estável. Pode-se sugerir, também, como Nietzsche no Crepúsculo dos Ídolos que ‘no belo, o ser humano se coloca como medida de perfeição;’ ‘adora nele a si mesmo …(…) No fundo, o homem se espelha nas coisas, considera belo tudo o que lhe devolve a sua imagem (…) O feio é entendido como sinal e sintoma da degenerescência (…) Cada indício de esgotamento de peso, de senilidade, de cansaço, toda espécie de falta de liberdade, como a convulsão, a paralisia, sobretudo o cheiro, a cor, a forma da dissolução, da decomposição (…) tudo provoca a mesma reação: o juízo de valor ‘feio’.(…) O que odeia aí o ser humano? Não há dúvida: o declínio de seu tipo”.

“Identificamos, assim, três fenômenos diversos: o feio em si, o feio formal e a representação artística de ambos. O que devemos ter presente ao folhear as páginas deste livro é que, quase sempre, será possível inferir quais são, em determinada cultura, os dois primeiros tipos de feiúra com base apenas em testemunhos do terceiro do tipo.”

Storia della bruttezza
Storia della bruttezza
Umberto Eco