O ciúme – Alain Robbe-Grillet

“Agora a sombra da coluna – a coluna que sustenta o ângulo sudoeste do telhado – divide em duas partes iguais o ângulo correspondente da varanda. Essa varanda é uma larga galeria coberta, que cerca três lados da casa. Como sua largura é igual na parte central e nas partes laterais, o traço da sombra projetada pela coluna chega exatamente à quina da casa; mas detém-se ali, pois apenas as lajes da varanda são alcançadas pelo sol, ainda demasiado alto no céu. As paredes, de madeira, da casa – isto é, a fachada e a empena ocidental – ainda estão protegidas de seus raios pelo telhado (telhado comum à casa propriamente dita e à varanda). Assim, neste instante, a sombra da beirada do telhado coincide exatamente com a linha, em ângulo reto, que formam a varanda e as duas faces verticais da quina da casa.
Agora, A… entrou no quarto, pela porta interna que dá para o corredor central. Ela não olha pela janela escancarada, por onde, da porta, veria este canto da varanda. Voltou-se agora para a porta a fim de fechá-la. Continua usando o vestido claro, de gola reta, muito justo, que vestia no almoço”.

Alain Robbe-Grillet (1922-2008) escreveu a La jalousie (O ciúme) em 1957.

La jalousieAlain Robbe-Grillet