O inominável – Samuel Beckett

“Onde agora? Quando agora? Quem agora? Sem me perguntar isso. Dizer eu. Sem o pensar. Chamar isso de perguntas, hipóteses. Ir adiante, chamar isso de ir, chamar isso de adiante. Pode ser que um dia, primeiro passo, vá, eu tenha simplesmente ficado, no qual, em vez de sair, segundo um velho hábito, passar o dia e a noite tão longe quanto possível de casa, não era longe. Pode ter começado assim.”

“Ninguém saberá nunca o que sou, ninguém me ouvirá dizê-lo, mesmo que eu o diga, e eu não o direi, eu não poderei, tenho apenas a língua deles, sim, sim, eu o direi talvez, mesmo na linguagem deles, para mim apenas, para não ter vivido em vão, e depois para poder me calar, se é isso que dá direito ao silêncio”

“há apenas isso, é preciso continuar, é tudo o que sei, eles vão parar, conheço isso, eu os sinto me deixando, será o silêncio, um pequeno instante, um bom momento, ou será o meu, aquele que dura, que não durou, que dura sempre, serei eu, é preciso continuar”

Samuel Beckett (1906-1989) publicou O inominável em 1953.

Samuel Beckett

O inominável