Mil platôs – Capitalismo e esquizofrenia – Gilles Deleuze e Félix Guattari

“Não existem pontos ou posições num rizoma como se encontra numa estrutura, numa árvore, numa raiz. Existem somente linhas. […] Todo rizoma compreende linhas de segmentaridade segundo as quais ele é estratificado, territorializado, organizado, significado, atribuído, etc.”

“Não há diferença entre aquilo de que um livro fala e a maneira como é feito. Um livro tampouco tem objeto. Considerado como agenciamento, ele está somente em conexão com outros agenciamentos, em relação com outros corpos sem órgãos. Não se perguntará nunca o que um livro quer dizer, significado ou significante, não se buscará nada compreender num livro, perguntar-se-á com o que ele funciona, em conexão com o que ele faz ou não passar intensidades, em que multiplicidades ele se introduz e metamorfoseia a sua, com que corpos sem órgãos ele faz convergir o seu.”

“É curioso como a árvore dominou a realidade ocidental e todo o pensamento ocidental, da botânica à biologia, a anatomia, mas também a gnoseologia, a teologia, a ontologia, toda a filosofia…: o fundamento-raiz, Grund, roots e fundations. O Ocidente tem uma relação privilegiada com a floresta e com o desmatamento; os campos conquistados no lugar da floresta são povoados de plantas de grãos, objeto de uma cultura de linhagens, incidindo sobre a espécie e de tipo arborescente; a criação, por sua vez, desenvolvida em regime de alqueire, seleciona as linhagens que formam uma arborescência animal. O Oriente apresenta uma outra figura: a relação com a estepe e o jardim (em outros casos, o deserto e o oásis) em vez de uma relação com a floresta e o campo: uma cultura de tubérculos que procede por fragmentação do indivíduo; um afastamento, um pôr entre parênteses a criação confinada em espaços fechados ou relegada à estepe dos nômades.”

“É preciso dizer que o Estado sempre existiu, e muito perfeito, muito formado. Quanto mais os arqueólogos fazem descobertas, mais descobrem impérios. A hipótese do Urstaat parece verificada, “o Estado enquanto tal remonta já aos tempos mais remotos da humanidade”. Mal conseguimos imaginar sociedades primitivas que não tenham tido contato com Estados imperiais, na periferia ou em zonas mal controladas. Porém, o mais
importante é a hipótese inversa: que o Estado ele mesmo sempre esteve em relação com um fora, e não é pensável independentemente dessa relação. A lei do Estado não é a do Tudo ou Nada (sociedades com Estado ou sociedades contra o Estado), mas a do interior e do exterior. O Estado é a soberania. No entanto, a soberania só reina sobre aquilo que ela é capaz de interiorizar, de apropriar-se localmente. Não apenas não há Estado universal, mas o fora dos Estados não se deixa reduzir à “política externa”, isto é, a um conjunto de relações entre Estados. O fora aparece simultaneamente em duas direções: grandes máquinas mundiais, ramificadas sobre todo o ecúmeno num momento dado, e que gozam de uma ampla autonomia com relação aos Estados (por exemplo, organizações comerciais do tipo “grandes companhias”, ou então complexos industriais, ou mesmo formações religiosas como o cristianismo, o islamismo, certos movimentos de profetismo ou de messianismo, etc); mas também mecanismos locais de bandos, margens, minorias, que continuam a afirmar os direitos de sociedades segmentárias contra os órgãos de poder de Estado. O mundo moderno nos oferece hoje imagens particularmente desenvolvidas dessas duas direções, a das máquinas mundiais ecumênicas, mas também a de um neoprimitivismo, uma nova sociedade tribal tal como a descreve McLuhan. Essas direções não estão menos presentes em todo campo social, e sempre. Acontece até de se confundirem parcialmente; por exemplo, uma organização comercial é também um bando de pilhagem ou de pirataria numa parte de seu percurso e em muitas de suas atividades; ou então é por bandos que uma formação religiosa começa a operar. O que é evidente é que os bandos, não menos que as organizações mundiais, implicam uma forma irredutível ao Estado, e que essa forma de exterioridade se apresenta necessariamente como a de uma máquina de guerra, polimorfa e difusa. E um nomos, muito diferente da “lei”. A forma-Estado, como forma de interioridade, tem uma tendência a reproduzir-se, idêntica a si através de suas variações, facilmente reconhecível nos limites de seus pólos, buscando sempre o reconhecimento público (o Estado não se oculta). Mas a forma de exterioridade da máquina de guerra faz com que esta só exista nas suas próprias metamorfoses; ela existe tanto numa inovação industrial como numa invenção tecnológica, num circuito comercial, numa criação religiosa, em todos esses fluxos e correntes que não se deixam apropriar pelos Estados senão secundariamente. Não é em termos de independência, mas de coexistência e de concorrência, num campo perpétuo de interação, que é preciso pensar a exterioridade e a interioridade, as máquinas de guerra de metamorfose e os aparelhos identitários de Estado, os bandos e os reinos, as megamáquinas e os impérios. Um mesmo campo circunscreve sua interioridade em Estados, mas descreve sua exterioridade naquilo que escapa aos Estados ou se erige contra os Estados.”

“Uma das tarefas fundamentais do Estado é esfriar o espaço sobre o qual reina, ou utilizar os espaços lisos como um meio de comunicação a serviço de um espaço esfriado. Para qualquer Estado, não só é vital vencer o nomadismo, mas controlar as migrações e, mais geralmente, fazer valer uma zona de direitos sobre todo um “exterior”, sobre o conjunto dos fluxos que atravessam o ecúmeno. Com efeito, sempre que possível o Estado empreende um processo de captura sobre fluxos de toda sorte, de populações, de mercadorias ou de comércio, de dinheiro ou de capitais, etc. Mas são necessários trajetos fixos, com direções bem determinadas, que limitem a velocidade, que regulem as circulações, que relativizem o movimento, que mensurem nos seus detalhes os movimentos relativos dos sujeitos e dos objetos. Donde a importância da tese de Paul Virilio, quando mostra que “o poder político do Estado é polis, polícia, isto é, vistoria”, e que “as portas da cidade, seus pedágios e suas alfândegas são barreiras, filtros para a fluidez das massas, para a potência de penetração das maltas migratórias”, pessoas, animais e bens”.”

“A troca é somente uma aparência: cada parceiro ou cada grupo aprecia o valor do último objeto receptível (objeto-limite) e a aparente equivalência decorre disso. A igualização resulta das duas séries heterogêneas, a troca ou a comunicação resulta dos dois monólogos (palavrório). Não há nem valor de troca nem valor de uso, mas avaliação do último de cada lado (cálculo de risco aferente a uma passagem do limite), uma avaliação-antecipação que dá conta do caráter ritual tanto quanto utilitário, do caráter serial tanto quanto de troca. A avaliação do limite para cada um dos grupos está presente desde o início e já comanda a primeira “troca” entre os dois. Há certamente um tateamento, a avaliação não é separável de um tateamento coletivo. Mas este não se apóia de modo algum sobre a quantidade de trabalho social, ele se apóia sobre a idéia do último, tanto de um lado como de outro, e se faz com uma velocidade variável, mas sempre mais rápido que o tempo necessário para chegar efetivamente ao último objeto ou mesmo para passar de uma operação a outra”.

“Eis que, na ruptura, não apenas a matéria do passado se volatizou, mas a forma do que aconteceu, de algo imperceptível que se passou em uma matéria volátil, nem mais existe. Nós mesmos nos tornamos imperceptíveis e clandestinos em uma viagem imóvel. Nada mais pode acontecer nem mesmo ter acontecido. Ninguém mais pode nada por mim nem contra mim. Meus territórios estão fora de alcance, e não porque sejam imaginários; ao contrário, porque eu os estou traçando. Terminadas as grandes ou as pequenas guerras. Terminadas as viagens, sempre a reboque de algo. Não tenho mais qualquer segredo, por ter perdido o rosto, forma e matéria. Não sou mais do que uma linha. Tornei-me capaz de amar, não de um amor universal abstrato, mas aquele que escolherei, e que me escolherá, às cegas, meu duplo, que não tem mais eu do que eu. Salvamo-nos por amor e para o amor, abandonando o amor e o eu. Não somos mais do que uma linha abstrata, como uma flecha que atravessa o vazio. Desterritorialização absoluta. Tornamo-nos como todo mundo, mas de uma maneira pela qual ninguém pode se tornar como todo mundo. Pintamos o mundo sobre nós
mesmos, e não a nós mesmos sobre o mundo.”

Mille plateaux – Capitalisme et schizophrénie, obra do filósofo Gilles Deleuze (1925-1995) e do psicanalista Félix Guattari(1930-1992), foi publicada em 1980.

Mil Platôs

Deleuze e Guattari

Gramatologia – Jacques Derrida

“E tudo acontece como se, deixando de designar uma forma particular, derivada, auxiliar da linguagem em geral, o ‘significante do significante’ – o conceito de escritura – começava a ultrapassar a extensão da linguagem. Em todos os sentidos, escritura compreenderia a linguagem. Não que a palavra escritura deixe de designar o significante do significante, mas descreve o movimento da linguagem: na sua origem, cuja estrutura se soletra como ‘significante do significante’, apaga-se a si mesma na sua própria produção. Até mesmo o significado aí funciona desde sempre como um significante, não há significado que escape, mais cedo ou mais tarde, ao jogo das remessas do significante que constitui a linguagem.”

“A língua tem, portanto, uma tradição oral independente da escritura – derivada porque representativa: significante do significante primeiro; representação da voz presente a si, da significação imediata, natural e direta do sentido. Este factum da escritura fonética é maciço e é verdade, comanda toda nossa cultura. ”

“A Gramatologia não deve ser uma das ciências humanas nem uma ciência regional dentre elas, porque coloca em questão o nome do homem. Liberar a unidade do conceito do homem é renunciar à velha ideia dos povos ditos ‘sem escritura’, ‘sem história’. Em vez de recorrer aos conceitos que servem habitualmente para distinguir o homem dos outros viventes, apela-se à noção de ‘programa’, no sentido, por exemplo, da cibernética, que é inteligível a partir de uma história das possibilidades do rastro como unidade de um movimento que faz aparecer o grama como tal e possibilita o surgimento dos sistemas de escritura no sentido estrito. Da ‘inscrição genética’ e das ‘curtas cadeias’ programáticas que regulam o comportamento da ameba ou do anelídeo até a passagem para além da escritura alfabética às ordens do logos e de um certo homo sapiens – a possibilidade do grama estrutura o movimento de sua história segundo níveis e ritmos rigorosamente originais. A história da escritura se erige sobre o fundo da história do grama como aventura das relações entre a face e a mão.”

“Transgredir a lei e a voz da piedade é substituir a afeição natural pela paixão pervertida. A lei natural, a doce voz da piedade, não é somente proferida por uma instância materna, ela é inscrita em nossos corações por Deus: que essa doce voz seja a da natureza e a da mãe, isto se reconhece também em ser ela lei. Não se trata mais de Lévi-Strauss, mas de Rousseau e a voz da lei materna, através da ordem da piedade que ocupa lugar de lei, supre a lei, a lei instituída. A piedade natural ilustra de maneira arquetípica a relação da mãe com o filho e comanda como uma doce voz. O “Essai sur l’origine des langues” de Jean-Jacques opõe a voz à escritura como a presença à ausência. Não seria espantoso referir-se a uma inquietude que parece animar toda a reflexão de Rousseau, que diria respeito à origem e a degenerescência da música. Se não há música antes da linguagem é porque a música nasce da voz e não do som. A música se desperta no canto e nasce na paixão, dito de outro modo, as necessidades ditaram os primeiros gestos, mas as paixões arrancaram as primeiras vozes. A música supõe a voz e se forma ao mesmo tempo em que a sociedade humana, sendo fala, ela requer que o outro me seja presente como outro na compaixão. O canto é o oriente da música, mas não se reduz a voz, define-se a melodia como imitação dos acentos da voz falante e apaixonante, enquanto na harmonia os acentos orais são privados de seus efeitos, tornando-se uma ciência do intervalo que se põe no calor dos acentos. Apaga o acento apaixonado para substituí-lo pelo intervalo harmônico. Distingue-se, então, a harmonia (tem o seu por si mesmo, independe de qualquer quantidade) da melodia (ideias de ritmo e de medida lhes dão um caráter determinado). Será o acento das línguas que determinará a melodia de cada nação – o acento que faz com que se fale ao cantar e que se fale com maior ou menor energia, pouco ou nenhum acento só pode ter uma melodia fria: a harmonia que destrói a energia da música? Não houve outra música senão a melodia – os acentos formavam o canto. ”

A obra “De la Grammatologie” foi escrita em 1967 por Jacques Derrida (1930-2004).

De la Grammatologie

Jacques Derrida

O processo – Franz Kafka

“Alguém devia ter caluniado Josef K., visto que uma manhã o prenderam, embora ele não tivesse feito qualquer mal.”

“Não pode sair; o senhor está preso.
Assim parece, disse K. E por que razão?
Não é da nossa incumbência darmos-lhe explicações. Volte para o seu quarto e aguarde.”

“São, pois, os senhores que me foram destinados? perguntou.
Os homens corroboraram com um movimento de cabeça e cada um deles, de chapéu na mão, apontou para o outro. K. não pôde deixar de dizer de si para si que esperara uma visita diferente. Aproximou-se da janela e olhou mais uma vez para a rua escura. Eram raras as janelas dos prédios fronteiros em que se via luz: em muitas, as cortinas já haviam sido descidas. Numa janela ainda com ‘luz brincavam algumas crianças atrás duma grade e estendiam umas para as outras as suas mãozinhas, pois não conseguiam sair do lugar onde as tinham posto.”

“Desse modo depressa saíram da cidade, que naquela banda quase sem transição se ligava ao campo. Perto de uma casa, que pelo aspecto ainda pertencia à cidade, havia uma pequena pedreira abandonada e erma. Foi ali que os homens pararam, quer por ser esse o objectivo de antemão escolhido, quer por estarem demasiado extenuados para continuarem a correr. Deixaram de perseguir K. que, calado, os esperava, tiraram o chapéu e enxugaram o suor da testa, ao mesmo tempo que lançavam os olhos pela pedreira. A luz da Lua, tranquila e natural como nenhuma outra, espalhava-se por toda a parte. Depois de terem trocado algumas cortesias em que procuraram determinar quem tinha de executar a próxima tarefa, parecia que não haviam definido a missão de cada um, um deles aproximou-se de K. e tirou-lhe o casaco, o colete e a camisa. K. arrepiou-se involuntariamente; o homem, então, deu-lhe uma pequena pancada nas costas para o tranquilizar. Depois, dobrou cuidadosamente as roupas como se fossem coisas que ainda viessem a ser usadas, embora num futuro um tanto remoto. Para não expor K., imóvel, ao ar fresco da noite, pegou-lhe por debaixo do braço e andou com ele um bocado para cá e para lá, enquanto o outro procurava na pedreira qualquer lugar adequado. Logo que o encontrou, fez um sinal ao companheiro, que levou K. para o sítio escolhido. Este situava-se perto dum ressalto da parede junto da qual havia uma pedra que lhe fora arrancada. Os homens sentaram K. no chão, encostaram-no à pedra e puseram-lhe a cabeça em cima. Apesar de todos os seus esforços e de toda a condescendência de que K. dava provas, a sua posição mantinha-se forçada e inverosímil. Por esse motivo, um dos homens pediu ao outro que o deixasse tratar sozinho de arranjar uma posição para K., mas nem assim se verificou qualquer melhoria. Acabaram então por deixá-lo ficar numa postura que nem sequer era a melhor de quantas já haviam arranjado. Depois, um deles abriu a sobrecasaca e tirou duma bainha, que pendia dum cinto colocado à volta do colete, uma faca de magarefe, comprida e estreita, com dois gumes, levantou-a e observou-lhe o corte à luz. Começaram de novo as repugnantes cortesias; um dava, por cima de K., a faca ao outro, que a restituía do mesmo modo. Agora K. sabia exatamente que o seu dever teria sido agarrar a faca quando ela passasse por cima de si e espetá-la no seu próprio corpo. Mas não o fez; em vez disso, voltou o pescoço ainda livre e olhou em redor. Não podia satisfazer inteiramente, pois não era capaz de aliviar as autoridades de todo o trabalho; a responsabilidade deste último erro tinha-a aquele que o privara do resto das forças que para isso lhe eram necessárias. Reparou, então, no último andar da casa que estava situada à beira da pedreira. Lá no alto, os dois batentes duma janela escancararam-se como um jorro de luz; um ser humano, a distância e a altura faziam-no fraco e magro, surgiu à janela, curvou-se bruscamente para fora e atirou os braços ainda mais para a frente. Quem era? Um amigo? Uma boa alma? Um participante? Alguém que queria ajudar? Era um só? Eram todos? Havia ainda auxílio? Havia ainda objecções por levantar? Havia-as com certeza. A lógica é na verdade inabalável, mas não resiste a um homem que quer viver. Onde estava o juiz que ele nunca tinha visto? Onde estava o alto tribunal que ele nunca alcançara? Levantou a mão e estendeu os dedos.
Mas um dos homens pôs-lhe as mãos no pescoço, enquanto o outro lhe espetava profundamente a faca no coração e aí a rodava duas vezes. Moribundo, K. viu ainda os dois homens muito perto do seu rosto, com as faces quase coladas, a observarem o desfecho.
Como um cão! disse. Era como se a vergonha devesse sobreviver-lhe.”

Franz Kafka, 1883-1924, escreveu O processo por volta de 1920.

Franz Kafka
O processo

Tente outra vez – Raul Seixas

Veja!
Não diga que a canção
Está perdida
Tenha fé em Deus
Tenha fé na vida
Tente outra vez!…

Beba! (Beba!)
Pois a água viva
Ainda tá na fonte
(Tente outra vez!)
Você tem dois pés
Para cruzar a ponte
Nada acabou!
Não! Não! Não!…

Oh! Oh! Oh! Oh!
Tente!
Levante sua mão sedenta
E recomece a andar
Não pense
Que a cabeça agüenta
Se você parar
Não! Não! Não!
Não! Não! Não!…

Há uma voz que canta
Uma voz que dança
Uma voz que gira
(Gira!)
Bailando no ar
Uh! Uh! Uh!…

Queira! (Queira!)
Basta ser sincero
E desejar profundo
Você será capaz
De sacudir o mundo
Vai!
Tente outra vez!
Humrum!…

Tente! (Tente!)
E não diga
Que a vitória está perdida
Se é de batalhas
Que se vive a vida
Han!
Tente outra vez!…

Raul Seixas
Raul Seixas

O manifesto comunista – Marx e Engels

“Qual o partido de oposição que não foi acusado de comunista por seus adversários no poder? Qual o partido de oposição que também não lançou contra seus adversários progressistas ou reacionários o estigma do comunismo?”

“O governo moderno não é senão um comitê para gerir os negócios comuns de toda a classe burguesa”.

“Censuram-nos a nós comunistas o querer abolir o direito à propriedade pessoalmente adquirida como fruto do trabalho do indivíduo, propriedade que é considerada a base de toda a liberdade pessoal, de toda a atividade e independência. A propriedade pessoal, fruto do trabalho e do mérito! Refere-se à propriedade do pequeno artesão e do camponês, forma de propriedade que antecedeu a propriedade burguesa? Não há necessidade de aboli-la; o desenvolvimento da indústria já a destruiu, em grande parte, e continua a destruí-la diariamente. Ou refere-se à propriedade privada atual, a propriedade burguesa? Mas o trabalho assalariado cria propriedade para o trabalhador? De modo algum. Cria capital, ou seja, aquele tipo de propriedade que explora o trabalho assalariado e que só pode aumentar sob a condição de produzir novo trabalho assalariado, a fim de explorá-lo novamente. A propriedade em sua forma atual baseia-se no antagonismo entre o capital e o trabalho assalariado. Examinemos os dois termos desse antagonismo.”

“Ser capitalista significa ocupar não somente uma posição pessoal na produção, mas também uma posição social. O capital é um produto coletivo e só pode ser posto em movimento pelos esforços combinados de muitos membros da sociedade ou, em última instância, pelos esforços combinados de todos os seus membros. O capital é , portanto, uma força social e não pessoal. Portanto, quando se converte o capital em propriedade comum, em propriedade de todos os membros da sociedade, não é a propriedade pessoal que se transforma em social. Muda-se apenas o caráter social da propriedade, que perde a sua vinculação de classe”

“Horrorizai-vos porque queremos abolir a propriedade privada. Mas, em nossa sociedade, a propriedade privada já foi abolida para nove décimos da população; se ela existe para alguns poucos é precisamente porque não existe para esses nove décimos. Acusai-nos, portanto, de procurar destruir uma forma de propriedade cuja condição de existência é a abolição de qualquer propriedade para a imensa maioria da sociedade.”

“O comunismo não priva ninguém do poder de apropriar-se dos produtos da sociedade; o que faz é privá-lo do poder de subjugar o trabalho alheio por meio dessa apropriação. Alega-se que com a abolição da propriedade privada toda a atividade cessaria e uma inércia geral se apoderaria do mundo. Caso isso fosse verdade, a sociedade burguesa teria, há muito, sucumbindo à ociosidade, pois aqueles seus membros que trabalham nada lucram e os que lucram não trabalham. Toda a objeção se reduz a essa tautologia: não poderá haver trabalho assalariado quando não mais houver capital”.

“O que demonstra a história das idéias senão que a produção intelectual se modifica à proporção que se modifica a produção material? As idéias dominantes de uma época são sempre as idéias da classe dominante. Quando se fala de idéias que revolucionam a sociedade, isso quer dizer que dentro da velha sociedade surgem elementos de uma nova sociedade, e que a dissolução das antigas idéias acompanham a dissolução das antigas condições de vida.”

“Os comunistas não se rebaixam em dissimular suas idéias e seus objetivos. Declaram abertamente que seus fins só poderão ser alcançados pela derrubada violenta das condições sociais existentes. Que as classes dominantes tremam diante da revolução comunista! Os proletários nada têm a perder senão os seus grilhões. Têm um mundo a ganhar. Proletários de todos os países, uni-vos!”

Karl Marx (05-05-1818/14-03-1883), filósofo, sociólogo, jornalista e revolucionário socialista. Friedrich Engels (28-11-1820/05-08-1895), teórico revolucionário alemão. O manifesto Comunista foi publicado pela primeira vez em 21 de fevereiro de 1848.

O manifesto comunista

Karl Marx

Friedrich Engels

Video games – Lana del Rey

Swinging in the backyard
Pull up in your fast car
Whistling my name

Open up a beer
And you take it over here
And play a video game

I’m in his favorite sun dress
Watching me get undressed
Take that body downtown

I say you the bestest
Lean in for a big kiss
Put his favorite perfume on

Go play a video game

It’s you, it’s you, it’s all for you
Everything I do
I tell you all the time
Heaven is a place on earth with you
Tell me all the things you want to do
I heard that you like the bad girls
Honey, is that true?
It’s better than I ever even knew
They say that the world was built for two
Only worth living if somebody is loving you
Baby now you do

Singing in the old bars
Swinging with the old stars
Living for the fame

Kissing in the blue dark
Playing pool and wild darts
Video games

He holds me in his big arms
Drunk and I am seeing stars
This is all I think of

Watching all our friends fall
In and out of Old Paul’s
This is my idea of fun
Playing video games

It’s you, it’s you, it’s all for you
Everything I do
I tell you all the time
Heaven is a place on earth with you
Tell me all the things you want to do
I heard that you like the bad girls
Honey, is that true?
It’s better than I ever even knew
They say that the world was built for two
Only worth living if somebody is loving you
Baby now you do

(Now you do)

It’s you, it’s you, it’s all for you
Everything I do
I tell you all the time
Heaven is a place on earth with you
Tell me all the things you want to do
I heard that you like the bad girls
Honey, is that true?
It’s better than I ever even knew
They say that the world was built for two
Only worth living if somebody is loving you
Baby now you do

(now you do, now you do)
now you do
(now you do, now you do, now you do)

Requiem for the american dream – Noam Chomsky

DEZ PRINCÍPIOS DA CONCENTRAÇÃO DE RIQUEZA E PODER

  1. Reduzir a Democracia
  2. Moldar a ideologia
  3. Redesenhar a economia
  4. Deslocar o fardo de sustentar a sociedade para os pobres e classe média
  5. Atacar a solidariedade
  6. Controlar os reguladores
  7. Controlar as eleições
  8. Manter a ralé na linha
  9. Fabricar consensos e criar consumidores
  10. Marginalizar a população

Nessun grado di separazione – Francesca Michielin

Nessun Grado di Separazione

È la prima volta che mi capita
Prima mi chiudevo in una scatola
Sempre un po’ distante dalle cose della vita
Perché così profondamente non l’avevo mai sentita
E poi ho sentito un’emozione accendersi veloce
E farsi strada nel mio petto senza spegnere la voce
E non sentire più tensione solo vita dentro di me
Nessun grado di separazione
Nessun tipo di esitazione
Non c’è più nessuna divisione
Fra di noi
Siamo una sola direzione in questo universo
Che si muove
Non c’è nessun grado di separazione
Davo meno spazio al cuore e più alla mente
Sempre un passo indietro
E l’anima in allerta
E guardavo il mondo da una porta
Mai completamente aperta
E non da vicino
E no, non c’è alcuna esitazione
Finalmente dentro di me

There is no degree of separation
There is no degree of hesitation
There is no degree of space between us
live in love
We are stars aligned together
dancing through the sky, we are shining

Nessun grado di separazione
Nessun grado di separazione
in questo universo che si muove
E poi ho sentito un’emozione accendersi veloce
E farsi strada nel mio petto senza spegnere la voce

Sr. Ninguém – Jaco Van Dormael

Sr. Ninguém (Mr. Nobody) é sobre as escolhas que fazemos durante nossa vida e como elas determinam o que somos. No filme, Nemo se encontra em algum lugar no futuro, um tempo em que as pessoas se tornaram imortais e ele é o último ser humano mortal ainda vivo. As pessoas tentam descobrir quem ele foi quando jovem, mas ele próprio não enxerga na própria vida o sentido que os outros buscam nela, e, apesar de guardar memórias do passado, não sabe dizer quem na verdade é.”

“Nemo condicionou suas escolhas à crença de que elas eram capazes de impedir coisas que ele imaginava que poderiam vir a acontecer. Por conta disso, só lhe sobrava um único caminho a seguir e isso sequer podia ser chamado de escolha, pois na maior parte das situações ele sequer fazia uma opção, por acreditar que “enquanto não se escolhe tudo permanece possível”.

“Já na velhice, ele não consegue descobrir quem na verdade é, simplesmente porque durante toda a sua vida ele não foi corajoso o suficiente para tomar decisões que o ajudassem a descobrir sua verdadeira identidade.” Texto extraído de Sublime irrealidade (aqui um pouco modificado)