O reino deste mundo – Alejo Carpentier

Enquanto esperava seu amo na barbearia, Ti Noel olhava as cabeças de bezerro e imaginava a cabeça dos brancos servida ao lado, na mesma bandeja. Em sua imaginação, comparava o rei branco com o rei negro, pois o rei negro é que era um rei de verdade, capaz de ir às batalhas, sua virilidade capaz de fecundar as mulheres dando origem à verdadeiros príncipes. Mackandal, o mandinga que contava histórias de heróis africanos, de reis, falava sempre em São Domingos: local livre, onde os negros é quem iam mandar.

Os revoltosos haviam partido em direção ao Cabo. Por todos os lados viam-se fumaças, exaladas pelos incêndio provocado pelos escravos, atingirem as nuvens. Nada que tivesse vida escapou da fúria negra: plantações, pessoas e animais. O cheiro de carne queimada dos animais, a cena de horror dos corpos dilacerados.

Alejo Carpentier (Havana, 26 de dezembro de 1904 — Paris, 24 de abril de 1980) escreveu ‘O reino deste mundo’ em 1949.

Crônica de um amor louco – Marco Ferreri

“Charles Serking é um poeta rebelde e alcoólico que vive no submundo de Los Angeles, no meio de prostitutas e marginais. Em uma de suas maratonas pelos bares conhece a linda Cass, com quem inicia um tórrido e trágico romance”.

‘Crônica de um amor louco’ é um dos mais elogiados filmes cult dos anos 80. lnspira-se na vida e obra do poeta underground Charles Bukowski. Marco Ferreri criou um filme repleto de erotismo e lirismo.” O texto, aqui modificado, está em https://www.youtube.com/watch?v=vXLXzOrguaY. Elenco: Ben Gazzara, Ornella Muti, Susan Tyrrell.

O marinheiro que perdeu as graças do mar – Yukio Mishima

Com o tempo, porém, ele se foi tornando indiferente à atração de terras exóticas. Viu-se naquela estranha situação enfrentada por todos os marinheiros: essencialmente, não pertencia à terra, nem ao mar. Um homem que odeia a terra deveria morar sempre na praia. A alienação e as prolongadas viagens marítimas o obrigariam a sonhar outra vez com a terra, atormentando-o com o absurdo de desejar alguma coisa que detesta

Yukio Mishima (Tóquio, 14 de janeiro de 1925 — Tóquio, 25 de novembro de 1970) escreveu ‘O marinheiro que perdeu as graças do mar’ em 1963.

Ton héritage – Benjamin Biolay

Benjamin Biolay (Villefranche-sur-Saône, 1973) cantor, compositor, multi-instrumentista, arranjador e produtor francês.

Benjamin Biolay


Si tu aimes les soirs de pluie
Mon enfant, mon enfant
Les ruelles de l’Italie
Et les pas des passants
L’éternelle litanie
Des feuilles mortes dans le vent
Qui poussent un dernier cri
Crie, mon enfant

Si tu aimes les éclaircies
Mon enfant, mon enfant
Prendre un bain de minuit
Dans le grand océan
Si tu aimes la mauvaise vie
Ton reflet dans l’étang
Si tu veux tes amis
Près de toi, tout le temps

Si tu pries quand la nuit tombe
Mon enfant, mon enfant
Si tu ne fleuris pas les tombes
Mais chéris les absents
Si tu as peur de la bombe
Et du ciel trop grand
Si tu parles à ton ombre
De temps en temps

Si tu aimes la marée basse
Mon enfant, mon enfant
Le soleil sur la terrasse
Et la lune sous le vent
Si l’on perd souvent ta trace
Dès qu’arrive le printemps
Si la vie te dépasse
Passe, mon enfant

{Refrain:}
Ça n’est pas ta faute
C’est ton héritage
Et ce sera pire encore
Quand tu auras mon âge
Ça n’est pas ta faute
C’est ta chair, ton sang
Il va falloir faire avec
Ou, plutôt sans

Si tu oublies les prénoms
Les adresses et les âges
Mais presque jamais le son
D’une voix, un visage
Si tu aimes ce qui est bon
Si tu vois des mirages
Si tu préfères Paris
Quand vient l’orage

Si tu aimes les goûts amers
Et les hivers tout blancs
Si tu aimes les derniers verres
Et les mystères troublants
Si tu aimes sentir la terre
Et jaillir le volcan
Si tu as peur du vide
Vide, mon enfant

{au Refrain}

Si tu aimes partir avant
Mon enfant, mon enfant
Avant que l’autre s’éveille
Avant qu’il te laisse en plan
Si tu as peur du sommeil
Et que passe le temps
Si tu aimes l’automne vermeil
Merveille, rouge sang

Si tu as peur de la foule
Mais supportes les gens
Si tes idéaux s’écroulent
Le soir de tes vingt ans
Et si tout se déroule
Jamais comme dans tes plans
Si tu n’es qu’une pierre qui roule
Roule, mon enfant

{au Refrain}

Mon enfant

O ataque dos tomates assassinos – John de Bello

“Em ‘O ataque dos tomates assassinos’ (Attack of the killer tomatoes!, 1978, John de Bello) tudo começa quando um tomate agride uma dona de casa. A policia fica intrigada ao descobrir que, o que parecia sangue é suco de tomate.”

O ataque dos tomates assassinos

“Os ataques aumentam e entra em cena o governo. Por um lado tenta encobrir o fato de que os tomates são o resultado de experiências genéticas e, por outro, forma uma equipe muito estranha de militares que irá enfrentar os tomates em combate.” Texto na Wikipedia. Elenco:David Miller, George Wilson, Sharon Taylor

O ataque dos tomates assassinos

O ataque dos tomates assassinos

Il tuo mundo – Claudio Villa

Claudio Villa (Claudio Pica, Roma, 1º de Janeiro de 1926 — Pádua, 7 de Fevereiro de 1987),  um dos mais célebres e influentes cantores italianos do século XX. 

Claudio Villa


Tu mi racconti di te,
di un mondo che fù,
di un vecchio mondo che ormai non può ritornare,
eppure mi è rimasto nel cuore
l’ amore che tu avevi per me.


Vorrei tornare indietro per un momento,
ma il tempo non si ferma, corre lontano,
io stringo forte a me la piccola mano
che un giorno mi accarezzava
e da quel giorno i miei ricordi li dedico a te.

Ero un bambino ma tu
mi insegnavi a capire
tutte le cose che tu sapevi da sempre.
L’amore, l’amicizia e il dolore,
ricordo, le ho imparate da te.

Vorrei tornare indietro per un momento,
ma il tempo non si ferma, corre lontano,
io stringo forte a me la piccola mano
che un giorno mi accarezzava
e da quel giorno i miei ricordi li dedico a te.

Vorrei tornare indietro per un momento,
ma il tempo non si ferma, corre lontano,
io stringo forte a me la piccola mano
che un giorno mi accarezzava
e da quel giorno i miei ricordi li dedico a te

Cartas na rua – Charles Bukowski

Tudo começou como um erro. Era época de Natal e ouvi do bêbado lá da colina, que aplicava esse truque todo Natal, que eles contratariam qualquer desgraçado, então eu fui, e a próxima coisa que me lembro é de estar com essa sacola de couro sobre meus ombros, vagando à toa por aí. Que emprego, pensei. Moleza! Eles davam a você apenas um ou dois pacotes de cartas e se você desse um jeito de se livrar deles, o carteiro regular lhe daria outro pacote para carregar, ou talvez você voltasse lá para dentro e o panaca da seção lhe desse outro, mas, na maior parte das vezes, bastava fazer uma média, seguir no seu ritmo, ir empurrando os tais cartões de Natal pelos buracos das caixas de correspondência.

Bukowski

Após o juramento, o cara nos disse:
— Muito bem, agora vocês têm um bom emprego. Não se metam em confusão e terão segurança para o resto de suas vidas.
Segurança? Isso é algo que você pode conseguir na cadeia. Três metros quadrados, nada de aluguel a pagar, nenhum bem de  consumo, imposto de renda, criança para sustentar. Nenhuma taxa de licenciamento de carro. Nenhuma multa. Nenhuma detenção por dirigir bêbado. Nenhuma perda nas corridas de cavalo. Assistência médica gratuita. Camaradagem com aquelas pessoas com os mesmos interesses. Igreja. Enterro grátis.

Henry Charles Bukowski Jr (nascido Heinrich Karl Bukowski; Andernach, 16 de agosto de 1920 — Los Angeles, 9 de março de 1994) poeta, contista e romancista estadunidense nascido na Alemanha.

Cartas na rua - Bukowski

Bukowski

 

La liste – Rose

Rose (Keren Meloul), cantora francesa, nascida na cidade de Nice em 1978.

Rose


Aller à un concert
Repeindre ma chambre en vert
Boire de la vodka
Aller chez Ikea
Mettre un décolleté
Louer un meublé
Et puis tout massacrer
Pleurer pour un rien
Acheter un chien
Faire semblant d’avoir mal
Et mettre les voiles
Fumer beaucoup trop
Prendre le métro
Et te prendre en photo
Jeter tout par les fenêtres
T’aimer de tout mon être
Je ne suis bonne qu’à ça
Est ce que ça te dé-çoit ?
J’ai rien trouver de mieux à faire
et ça peut paraître bien ordinaire
et c’est la liste des choses que je veux faire avec toi
Te faire mourir de rire
Aspirer tes soupirs
M’enfermer tout le jour
Ecrire des mots d’amour
Boire mon café noir
Me lever en retard
Pleurer sur un trottoir
Me serrer sur ton coeur
Pardonner tes erreurs
Jouer de la guitare
Danser sur un comptoir
Remplir un caddie
Avoir une petite fille
Et passer mon permis
Jeter tout par les fenêtres
T’aimer de tout mon être
Je ne suis bonne qu’à ça
Est ce que ça te dé-çoit ?
J’ai rien trouver de mieux à faire
Et ça peut paraitre bien ordinaire
Et c’est la liste des choses que je veux faire avec toi
ha ha
ha ya
ha ya
ha ha
Je sais je suis trop naïve
De dresser la liste non exhaustive
De toutes ces choses que je voudrais faire avec toi
T’embrasser partout
S’aimer quand on est saouls
Regarder les infos
Et fumer toujours trop
Eveiller tes soupçons
Te demander pardon
Et te traiter de con
Avoir un peu de spleen
Ecouter Janis Joplin
Te regarder dormir
Me regarder guérir
Faire du vélo à deux
Se dire qu’on est heureux
Emmerder les envieux.