Os homens que encaravam cabras – Grant Heslov

“Já no início de “Os homens que encaravam cabras”, os créditos avisam que “você ficaria surpreso com a quantidade de coisas neste filme que são verídicas”. Uma delas é achar – veja só – que os Estados Unidos têm a vocação moral, quase transcendental, quase divina, de salvar o mundo. O personagem de Bridges, Bill Django, volta do Vietnã crente de que seja possível fazer a paz não com tiros, mas com amor. De sua utopia hippie nasce o Exército da Nova Terra, divisão do exército dos EUA que emprega poderes psíquicos em combate. São homens de bigodes bem aparados que, dizem, podem até matar uma cabra com o olhar.”

“As melhores cenas estão nos flashbacks, rindo não só de um episódio específico da jornada belicista dos EUA mas de toda a construção do mito de seu poderio. Em Kubrick o alvo do escracho é a guerra enquanto conceito. O alvo de Heslov e Clooney é a Guerra do Iraque.” Texto extraído de Omelete. Elenco: George Clooney, Jeff Bridges, Kevin Spacey

Le quattro volte – Michelangelo Frammartino

Em ‘Le quattro volte’ “um velho pastor vive seus últimos dias em uma quieta vila medieval nas montanhas da Calabria, sul da Itália. Está doente e acredita que o seu melhor remédio está na poeira do chão da igreja, que ele coleta, mistura à sua água e bebe todos os dias. Um novo cabrito nasce, tenta dar seus primeiros passos e aos poucos se fortalece até poder acompanhar o rebanho. Ali perto, uma árvore magnífica chacoalha com a brisa da montanha e muda lentamente com as estações.”

“O natural e o aparentemente banal é filmado e é incrível como insignificâncias ganham magnitude, são tomadas longas em que a câmera observa o ritmo tedioso daquela vila. O homem que pastoreia suas cabras e que a cada dia definha mais e mais tem fé que a poeira da igreja de algum modo irá salvá-lo, pobre mortal, ninguém pode ir contra a natureza, eis o ciclo da vida”. O texto encontra-se em “Pitada de Cinema Cult”. Elenco: Giuseppe Fuda, Bruno Timpano, Nazareno Timpano