E aí, meu irmão, cadê você? – Joel e Ethan Coen

“‘E aí, meu irmão, cadê você’ (Oh Brother, Where Art Thou, EUA, 2000) narra Ulysses, um almofadinha que foge da cadeia com dois colegas a quem está acorrentado, tentando cruzar o país para encontrar e desenterrar um tesouro cuja localização Ulysses garante saber. A fuga é repleta de encontros impagáveis: um blueman negro que vendeu a alma ao Diabo para tocar violão melhor ; um gângster violento; um caixeiro viajante caolho, etc, etc.”

“Trata-se de uma viagem divertida ao centro da alma do trovador norte-americano retratada com perfeição até mesmo no ritmo lânguido e indolente da direção. O filme, todo criado em tons marrons e verdes, foi digitalizado e teve o excesso de cores removido digitalmente, de forma a ganhar as tonalidades de uma plantação de milho.” Texto em Cinereporter . Elenco: George Clooney, John Turturro, Tim Blake Nelson, Charles Durning, John Goodman, Michael Badalucco, Holly Hunter, Chris Thomas King, Wayne Duvall, Daniel von Bargen, Stephen Root.

O som e a fúria – William Faulkner

ela sentou-se então ficou em pé a saia batia-se contra as pernas dela escorrendo água ela subiu a margem as roupas encharcadas sentou-se por que você não espreme as roupas quer pegar um resfriado
quero
a água gorgolejava em torno do banco de areia e por cima dele no escuro entre os salgueiros no trecho raso a água se enrugava como um pedaço de pano guardando um pouco de luz como a água sempre faz
ele já atravessou todos os oceanos do mundo todo

Quando a sombra dos caixilhos aparecia nas cortinas, eram entre sete e oito horas e aí eu estava novamente imerso no tempo, ouvindo o relógio. Foi de Avô e quando Pai o deu para mim ele disse eu lhe dou o mausoléu de toda esperança e desejo; é deveras apropriado que você o use para se apoderar do reducto absurdum de toda experiência humana, que será de tão pouca utilidade para suas necessidades individuais quanto o foi para ele e para o pai dele. Eu o dou a você não para que se lembre do tempo, mas para que você o esqueça aqui e ali por alguns momentos e não despenda todo seu fôlego tentando vencê-lo. Pois batalha alguma é vencida ele disse. Nem sequer se chega a travá-las. O campo de batalha revela ao homem apenas sua própria loucura e desespero, e a vitória é uma ilusão dos filósofos e dos tolos.

William Faulkner (William Cuthbert Faulkner, New Albany, 25 de setembro de 1897 — Byhalia, 6 de julho de 1962) escreveu “O Som e a Fúria” em 1929. É dividido em quatro partes e narrado por diferentes personagens com diferentes discursos narrativos.