Os homens que encaravam cabras – Grant Heslov

“Já no início de “Os homens que encaravam cabras”, os créditos avisam que “você ficaria surpreso com a quantidade de coisas neste filme que são verídicas”. Uma delas é achar – veja só – que os Estados Unidos têm a vocação moral, quase transcendental, quase divina, de salvar o mundo. O personagem de Bridges, Bill Django, volta do Vietnã crente de que seja possível fazer a paz não com tiros, mas com amor. De sua utopia hippie nasce o Exército da Nova Terra, divisão do exército dos EUA que emprega poderes psíquicos em combate. São homens de bigodes bem aparados que, dizem, podem até matar uma cabra com o olhar.”

“As melhores cenas estão nos flashbacks, rindo não só de um episódio específico da jornada belicista dos EUA mas de toda a construção do mito de seu poderio. Em Kubrick o alvo do escracho é a guerra enquanto conceito. O alvo de Heslov e Clooney é a Guerra do Iraque.” Texto extraído de Omelete. Elenco: George Clooney, Jeff Bridges, Kevin Spacey

Dr. Fantástico – Stanley Kubrick

Em ‘Dr. Fantástico’ (Dr. Strangelove Or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb, 1964) um general americano acredita que os soviéticos estão sabotando os reservatórios de água dos Estados Unidos e resolve, em troca, bombardear a União Soviética. Com as comunicações interrompidas, ele é o único que possui os códigos para parar as bombas e evitar o que provavelmente seria o início da Terceira Guerra Mundial. Uma das melhores comédias de todos os tempos. Elenco: Peter Sellers, George C. Scott, Sterling Hayden.

Dr. Fantástico

“Kubrick jamais teria obtido tal êxito sem a presença do inigualável Peter Sellers, que interpreta nada menos que três personagens, todos extremamente distintos entre si. Há também a presença de George C. Scott, que mais tarde viria a afirmar que seria neste filme a melhor performance de sua vida. Texto de ‘Plano Crítico’.

Dr. Fantástico

Dr. Fantástico

Sursis – Os caminhos da liberdade – Jean-Paul Sartre

«Decidiram tudo, encarregaram-se de tudo, tinham saúde, força, lazeres; voltaram, escolheram os seus chefes, andavam sobre os pés, percorriam a terra toda com ares importantes e graves, combinavam entre si o destino do mundo, e em particular o dos pobres enfermos, essas crianças grandes. E o resultado? A guerra. Bonito! Porque devo pagar pelos erros deles?”

Um sorriso um simples sorriso, era uma hipoteca sobre a paz do dia seguinte, do ano seguinte, do século; senão eu nunca teria ousado sorrir. Anos e anos de paz futura haviam se depositado previamente nas coisas e tinham-nas amadurecido, dourado; pegar no relógio, num trinco da porta, na mão de uma mulher, era tomar a paz nas mãos. O pós-guerra era um começo. O começo da paz. Vivia-se nele sem pressa como se vive uma manhã.

Jean-Paul Sartre escreveu ‘Sursis’ em 1947.